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De olho no clima: La Niña deve afetar o agro em 2022?

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Como está o clima? Com 81% de probabilidade, a expectativa é que La Niña siga exercendo influência durante o verão, de acordo com o modelo IRI/CPC ENSO

As chuvas voltaram em novembro! Pelo menos na maior parte das regiões brasileiras que produzem grãos, sobretudo no Sudeste, Centro-Oeste e Mapitoba (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia).

Isso fez com que a Conab revisasse as estimativas de produção de grãos para cima, projetando 291,1 milhões de toneladas para a safra 2021/22. Isso representa um aumento de 15,1% em comparação à temporada passada.

No entanto, a mesma felicidade não pôde ser comemorada no Sul do país. Isso porque, os volumes de chuvas abaixo do esperado, efeito causado pelos fenômenos La Niña e Oscilação Decadal do Pacífico (ODP), ainda devem continuar preocupando os agricultores locais.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, os produtores de milho e soja já calculam as possíveis perdas provocadas pela escassez hídrica e as altas temperaturas: no caso do milho sequeiro, pode passar dos 50%, enquanto que na soja pode haver necessidade de replantio.

E o que podemos esperar do clima no próximo trimestre? O verão será chuvoso? Como devo planejar minha lavoura? Veja a seguir.

O que esperar para os próximos meses?

81% de probabilidade de que La Niña continue exercendo influência durante o verão, de acordo com o último modelo do IRI/CPC utilizado para realizar a previsão do ENSO (“El Niño – Southern Oscillation”, ou ENOS – El Niño Oscilação Sul, em português), de 9 de dezembro de 2021.

Em meados de novembro, as temperaturas superficiais do mar, na zona do Pacífico equatorial, permaneceram abaixo do normal, com -0,8°C, justificando a presença do fenômeno climatológico.

Lembremos que em setembro havíamos discutido que o cenário mais provável era a continuidade de La Niña durante o verão.

De olho no clima: probabilidade de La Niña aumenta.
Figura 1: Probabilidade de ocorrência de La Niña (barra azul) está acima de 80% para o próximo trimestre (verão) (Fonte: Columbia University, 2021)

Como vemos no gráfico acima, a situação de neutralidade (barra cinza) é esperada em meados de abril de 2022.

Além disso, de acordo com a MetSul Meteorologia, a Oscilação Decadal do Pacífico está em sua fase negativa, sendo a menor nos últimos 66 anos.

Como consequência, as condições meteorológicas de La Niña são agravadas.

La Niña deve afetar as chuvas em vários estados brasileiros

Em outras palavras, os volumes esperados de chuva poderão ficar abaixo da média histórica em algumas regiões, principalmente no Sul do Brasil, que pode apresentar períodos de estiagem.

Já nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste a expectativa é de chuvas acima da média.

Vale destacar que as chuvas acima ou abaixo da média não serão frequentes durante todo o verão, bem como as chuvas abaixo do esperado não significam ausência de precipitação.

Quanto às temperaturas, de modo geral, tendem a ficarem próximas às médias ou um pouco mais baixas (efeito La Niña), exceto na porção leste do Nordeste e o interior do Rio Grande do Sul.

Dessa forma, algumas regiões gaúchas (como o interior do estado) podem apresentar déficit hídrico nos solos, fator este que, combinando chuvas insuficientes com altas temperaturas, demanda uma maior evapotranspiração das plantas. E isso pode reduzir a produção das lavouras. 

Mas, o que o agricultor pode fazer para mitigar esses riscos?

O clima e os seus impactos na agricultura

Antever os possíveis riscos climáticos é uma estratégia interessante que possibilita ao produtor mitigar possíveis custos adicionais e assim garantir a rentabilidade da sua fazenda.

Assim, em locais onde espera-se chuvas abaixo do normal, o Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs) recomenda:

Soja

  1. Utilizar cultivares de ciclo tardio nas semeaduras de dezembro;
  2. Se tiver disponibilidade de água para irrigação optar pelos períodos de floração e enchimento de grãos;
  3. Atentar ao controle de doenças, como a ferrugem asiática.

Milho

  1. Escalonar a época de semeadura, utilizando cultivares de ciclos diferentes;
  2. Evitar semeadura com alta densidade de plantas (reduzindo a competição por água);
  3. Fazer a adubação de cobertura apenas quando o solo tiver umidade adequada ou previsão de chuva;
  4. Reservar água para irrigação das fases de floração e enchimento de grãos;
  5. Realizar semeadura de milho para obter silagem, caso haja demanda por alimentação animal;
  6. Atentar ao controle de doenças, como cigarrinha do milho.

Forrageiras

  1. Aumentar o estoque de forragens na fazenda, por meio da redução da carga animal ou conservação de feno/silagem;
  2. Manter a cobertura do solo com resíduo adequado, respeitando a lotação animal para cada forrageira;
  3. Considerar suplementação estratégica para os rebanhos mais necessitados;
  4. Quando possível, irrigar as pastagens cultivadas, em caso de estiagem.

Para outras culturas, como por exemplo arroz, feijão, hortaliças, fruticultura e silvicultura, vale a pena consultar as recomendações técnicas disponíveis no Boletim Copaaergs nº 59, de 14 de dezembro de 2021.

Já conhece o app BoosterAgro?

Além das cinco massas de ar que atuam no Brasil, temos um conjunto de fatores que afetam o clima, como por exemplo latitude, altitude, relevo, correntes marítimas etc.

Ainda, eventos esporádicos podem ocorrer, como El Niño, La Niña e ODP.

Portanto, o constante monitoramento das condições climáticas é essencial para o sucesso da lavoura.

Pensando nisso, o app BoosterAgro reúne uma gama de informações, por exemplo: precipitação, temperatura do ar, umidade relativa do ar e direção e velocidade do vento.

Elas são compiladas de várias fontes, para o dia atual e as previsões para os dias seguintes, a fim de auxiliar o produtor rural em seu planejamento.

O app da BoosterAgro permite monitorar o tempo na sua propriedade e, com isso, reunir informações sobre o impacto do clima e do tempo na sua lavoura
App BoosterAgro

Conclusão

Enfim, respondendo à pergunta inicial “O que esperar do clima no próximo trimestre?”, de modo resumido, há uma tendência de que sigamos sentindo os efeitos de La Niña no próximo trimestre.

No entanto, para o interior do Rio Grande do Sul a expectativa é de que seja uma das áreas mais afetadas quanto à questão hídrica.

Já vimos em outro artigo que o tempo e o clima exigem um monitoramento frequente.

Portanto, as informações climáticas atualizadas são fundamentais para o planejamento das atividades de uma fazenda, a fim de reduzir riscos e garantir a rentabilidade do negócio.

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