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Tipos de solo no Brasil: conheça os principais

tipos de solo

A seguir, conheça os diferentes tipos de solo presentes no Brasil e entenda como é feita a sua classificação. E saiba também quais solos são mais aptos, ou não, para a agricultura

Antes de tudo, é bom ressaltar que, pedologia é o ramo da ciência que estuda o solo. Mas, o que é o solo?

Praticamente todo mundo sabe o que é o solo e sua importância para a humanidade, porém, conceituá-lo não é algo simples, tanto que não existe uma definição mundialmente aceita.

No entanto, podemos dizer que trata-se da camada superficial da Terra formada pelos processos de intemperismo (relação entre sol, água, vento e organismos vivos). Ou seja, o acúmulo de materiais minerais e orgânicos encontrados nas camadas superficiais (estas também chamadas de horizontes).

Tipos de solo - Análise dos horizontes do solo para o cultivo de uva
Análise dos horizontes do solo para o cultivo de uva (Fonte: Flávio Mendes, 2020)

Ele é um dos principais recursos naturais de um país, pois é por meio dele que se viabiliza a agricultura, uma vez que ele carrega consigo os nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas, como já vimos em outro artigo do blog.

No entanto, as atividades antrópicas (realizadas pelo homem), se não planejadas, podem gerar prejuízos, tais como causar erosões e contaminações dos solos e, consequentemente, perdas de produtividade e destruição do ambiente natural, afetando todo o ecossistema.

Tipos de solo: como é feita a classificação?

O Brasil segue a classificação de solos proposta pela Embrapa (1979).

Basicamente, o solo pode ter partículas de 3 diferentes tamanhos:

  • Areia: partículas relativamente grandes, com tamanho entre 0,05 mm – 2,00 mm;
  • Silte: partículas de tamanho médio, entre 0,002 – 0,05 mm;
  • Argila: partículas finas que possuem tamanho menor que < 0,002 mm.

Há frações mais grosseiras (maiores) que a areia, como por exemplo: cascalho (2 – 20 mm), calhau (20 – 200 mm) e matacão (> 200 mm).

Vale destacar que um solo pode conter areia, silte e argila ao mesmo tempo, em porcentagens variadas, originando tipos de solos diferentes.

Camadas de solo

Os horizontes do solo são classificados como:

  • O: é a camada mais superficial, de tonalidade escura, composto pela matéria orgânica em decomposição;
  • A: segunda camada do solo, que mistura matéria orgânica e minerais, sofrendo bastante efeito das intempéries climáticas;
  • B: possui acúmulo de argilas das camadas O e A, bem como concentrações de ferro e alumínio;
  • C: mix do solo com a rocha-mãe;
  • D: rocha-mãe, sem alterações.
Horizontes do solo
(Fonte: Embrapa)

Características do solo

Morfologicamente, os solos são classificados a partir de características como cor, textura, estrutura, consistência, porosidade, cerosidade e coesão.

  • Cor: essa é a variável mais fácil de visualizar, fazendo inferência na quantidade de matéria orgânica (quanto mais escura, maior o teor); para este caso, utilizamos a Carta de Cores de Munsell, que considera 3 fatores: matiz, valor e croma;
  • Textura: refere-se à proporção relativa entre areia, silte e argila, influenciando diretamente na drenagem do solo;
  • Estrutura: remete ao arranjo das partículas primárias com as outras substâncias (matéria orgânica, óxidos de ferro e alumínio etc.), podendo ser subdividida em:
    • (i) Tipo – laminar, prismática, colunar, blocos angulares, blocos subangulares e granular;
    • (ii) Tamanho – muito pequena, pequena, média, grande e muito grande;
    • (iii) Grau de desenvolvimento – solta, fraca, moderada e forte;
  • Consistência: avalia as forças físicas de coesão entre as partículas, ou seja, o torrão em diferentes níveis de umidade; aqui, quanto mais facilmente o torrão úmido se desfaz, mais fácil é arar o terreno;
  • Porosidade: volume de solo ocupado por água e ar, característica essa que reflete a capacidade da água infiltrar e das raízes de desenvolverem nos poros do solo;
  • Cerosidade: expressa o quão brilhoso é a face do solo, podendo ser dividida em:
    • (i) Grau de desenvolvimento – fraca, moderada ou forte;
    • (ii) Quantidade: pouco, comum ou abundante;
  • Coesão: reflete a dureza dos horizontes, sendo mais presentes em argissolos e latossolos, podendo ser classificados como moderadamente coeso ou fortemente coeso.

Quais os tipos de solo no Brasil e suas características?

Desenvolvido pela Embrapa, nós temos o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, que nada mais é do que o tipo de solo existente em cada área do Brasil.

Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, Embrapa
Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, Embrapa

São 13 diferentes tipologias, que dependem das características acima mencionadas, com destaque para os latossolos e os argissolos, que cobrem 58% das terras nacionais.

  • Argissolos: solos ricos em argila na transição da camada superficial para o horizonte B, sendo o segundo tipo mais comum, cobrindo uma área de 24%;
  • Cambissolos: solos pouco desenvolvidos, com pouca diferenciação das camadas;
  • Chernossolos: solos férteis, com boa agregação de argila na camada A;
  • Espodossolos: solos pobres e ácidos, composto pela mistura de matéria orgânica humificada e alumínio;
  • Gleissolos: solos geralmente argilosos, nas proximidades de riachos;
  • Latossolos: solos mais frequentes no Brasil, com 39% do território, com estágio avançado de intemperismo, logo, são profundos, bem drenados e têm baixa capacidade de troca de cátions;
  • Luvissolos: solos argilosos e rasos;
  • Neossolos: solos jovens, sem horizonte B definido;
  • Nitossolos: solos geralmente profundos, bem drenados e ácidos;
  • Organossolos: solos constituídos pelo acúmulo de matéria orgânica e, portanto, apresentam coloração escura;
  • Planossolos: solos que apresentam aumento gradual de argila nos horizontes, tendo restrição de permeabilidade;
  • Plintossolos: solos com formação de plintita, em virtude da drenagem ruim;
  • Vertissolos: solos ricos em argila, geralmente férteis, mas com baixa permeabilidade.
Solos brasileiros de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos – 5ª Edição (Fonte: Embrapa)
Solos brasileiros de acordo com o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos – 5ª Edição (Fonte: Embrapa)

Quais os melhores tipos de solos para agricultura e por quê?

Primeiro, é bom destacar que não há um tipo de solo perfeito, uma vez que cada cultura se desenvolve melhor num determinado tipo de solo.

Por exemplo, enquanto o arroz necessita de solos mais úmidos, o milho pode crescer bem em solos mais secos.

No entanto, os solos com texturas médias e argilosas são os preferidos, porque apresentam uma combinação adequada de areia, argila e nutrientes que serão a base para o desenvolvimento da planta, além da camada orgânica, quando presente.

Geralmente, essa composição permite a boa entrada de água e oxigênio aos micro-organismos, ou seja, retém água numa quantidade adequada, sem ficar muito encharcado e nem muito seco, além de não ser tão ácido, o que reduzirá custos com calagem.

Além disso, conhecer o regime de chuvas, as variações das temperaturas ao longo do ano e as recomendações da própria cultura fazem com que o agricultor tenha melhor embasamento para a tomada de decisão.

Conclusão

Em resumo, há diferentes tipos de solo no Brasil.

Assim, para quem trabalha no campo, conhecer sobre o tipo de solo da sua lavoura é fundamental, pois ele é uma das principais matérias-primas para a agricultura.

Por isso, a cada dia mais há estudos sobre o solo em relação à diferentes culturas agrícolas, de modo a encontrar parâmetros que sejam capazes de maximizar a produtividade dos cultivos.

Além disso, o conhecimento sobre o solo possibilita um melhor manejo dele, o que também colabora para a realização de práticas agrícolas sustentáveis, visando conciliar preservação ambiental e ganho de eficiência na produção.

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